sábado, 13 de setembro de 2008

Vivendo anonimamente

é o termo utilizado para descrever a situação de quem se submete a CRS (cirurgia de readequação sexual), retifica seus documentos e basicamente começa uma vida do zero, no sentido de camuflar e/ou omitir o seu passado.

Esta é uma tarefa difícil, levando-se em conta que a grande maioria das que conseguem de fato a cirurgia, o fazem depois dos 20 anos, muitas vezes 30, ou seja, é complicado apagar 20 e poucos anos de história de vida, pessoas que conheceu, deixar tudo isso pra trás, e não apenas pelo aspecto emocional, falo mais no medo de alguém nos descobrir, uma pessoa que nos conhecia antes, e a nova-mulher ser exposta, ter seu passado revelado, e muitas vezes pela ignorância alheia, ser vista como alguém que enganou, uma falsa mulher.

Na verdade, muitas disfóricas não se importam em contar sobre seu passado e admitir que são de fato transgêneros (ou ex-transgêneros). Até mesmo porque, é dificil esconder todo o rastro do passado. Parece aqueles filmes de espionagem, de suspense, em que a pessoa cria uma nova identidade para fugir de alguma coisa, mas no nosso caso, a identidade feminina sempre foi nossa, verdadeira, desde pequena, mas poucos entendem isso.

Não é fácil imaginar ou escutar "você já foi homem um dia", e sentir-se diminuída ou menos mulher por isso, mas sabemos que para uma pessoa lhe dizer isso, ou é falta de instrução ou maldade mesmo. Já pensei em me mudar para o outro estado, para outro país, como se uma nova pessoa nascesse do nada, sem passado, vivendo a constante ansiedade de que alguém possa saber ou vir a descobrir o grande segredo, mas isso seria justo comigo? Com as pessoas que me amam e que me acompanharam nessa jornada? Pra mim, a resposta é Não.



Se ninguém soubesse de nada do passado de transexuais como Roberta Close, ou Maite Schneider, ou Rudy Pinho, elas seriam muito mais respeitadas e admiradas, recebendo os benefícios que toda a mulher atraente e bem sucedida possui em nossa sociedade, quem sabe até mesmo os melhores pretendentes, por sermos fortes, decididas, qse sempre altas, e isso ser atraente aos olhos masculinos.


Mas não é o que ocorre de fato, pois a maioria dos homens não suportaria a idéia de se envolver com "um traveco", como muitos se refeririam a tal situação e como muitos confundem os termos transexuais/travestis. Portanto, por mais femininas que elas sejam, quando sabe-se da transexualidade (ou da ex-transexualidade), a grande maioria desses homens interessantes, iria embora, por não suportar a pressão em cima deste fardo.




Certamente temos todo o direito a uma vida plena, com tudo aquilo que nos foi negado durante boa parte de nossas vidas, como sempre digo, o que todas as pessoas "normais" tem desde o primeiro ano de vida, nós levamos o que? 20? 30? 35 anos pra conseguir? Portanto, temos o direito de sermos felizes, estar em paz com nossas vidas, poder trabalhar, ter amigos, um namorado/marido bacana e evitar sim, a todo custo o preconceito dos medíocres.


Mas continuo convícta ainda, que quando você encontrar Aquele homem, você vai sentir que é ele, que ele é O homem, o que voce esperou sua vida toda, voce tem a obrigação de ser sincera com ele. Obviamente que não no primeiro ou no segundo encontro, e sim após ele ter te conhecido e ter realmente se apaixonado por voce, por quem você é de verdade, voce o sentir no seu coração e ele a sentir no dele, este sim é o momento de você partilhar o grande aprendizado que Deus lhe proporcionou nesta jornada maravilhosa, chamada Vida.

2 comentários:

Sáh disse...

nossa... admiro sua força, de verdade.

estou torcendo para você ser feliz ^^ tenho certeza que voce merece e muito o/

bjos e boa sorte.

Andreia disse...

Sarah, minha amiga, eu não conhecia este post, e gostei!

Vou posta-lo no meu Blog, fazendo referência a você :)

bjooos ***

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